A forma como a osteopatia pode ajudar na dor já foi abordada no artigo anterior: A Osteopatia na dor – André Silva (andresilvaosteopata.pt). Hoje falamos concretamente de dor lombar.
A dor lombar ou lombalgia é uma das queixas mais comuns em todo o mundo, afetando milhões de pessoas de todas as idades. E é uma das principais razões pela qual as pessoas recorrem a um osteopata. Os sintomas que se localizam na região inferior das costas, entre as últimas costelas e a região glútea, podem variar em intensidade e duração, desde dores ligeiras que não limitam as atividades de vida diária da pessoa, até dores agudas, muito debilitantes que têm um impacto muito significativo na qualidade de vida dos pacientes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 80% da população mundial sofrerá de dor lombar em algum momento de suas vidas, e na Europa, estudos indicam que a dor lombar é uma das principais causas de incapacidade, afetando aproximadamente 20% da população adulta (Dados da European Pain Federation).
Quando me perguntam sobre as causas para a dor lombar, a minha resposta é sempre baseada na literatura científica mais recente, segundo a qual não existe apenas um único fator responsável por esta queixa. Na maioria dos casos, as causas são multifatoriais. Lesões traumáticas, posições prolongadas no tempo, gestos repetitivos decorrentes da atividade profissional, idade avançada, excesso de peso e fatores genéticos podem contribuir para o desenvolvimento de uma determinada patologia que pode causar a dor lombar. Além disso e não menos importante, é hoje reconhecido que o stress emocional, a ansiedade, a privação do sono ou a má qualidade do mesmo, a falta de atividade física e o sedentarismo desempenham um papel muito significativo, aumentando o risco para o problema.
Desenvolvendo alguns dos fatores mencionados acima e começando a pensar numa lesão traumática, podemos estar a falar de uma distensão muscular que ocorreu, por exemplo, durante um movimento brusco, na prática de uma atividade desportiva ou mesmo durante a atividade laboral quando fomos pousar no chão uma determinada carga. Um traumatismo mais sério é, por exemplo, um acidente de viação que dependendo da severidade do mesmo, pode levar a fraturas ou subluxações vertebrais.
Considerando uma posição prolongada no tempo, penso desde logo na posição sentada em que a mesma provoca não só pressão sobre os discos intervertebrais como leva a longo prazo à rigidez muscular e articular que tantas pessoas se queixam. Tenho imensas coisas para dizer sobre a posição sentada, falo sobre isso quase todos os dias em consulta, por isso, esta merece mais tempo da minha atenção, num artigo em breve no meu site.
Voltando a concentrar-me nos múltiplos fatores para a dor lombar e falando nos gestos repetitivos decorrentes de uma profissão, lembro-me sempre dos enfermeiros (possivelmente os profissionais de saúde mais representados na minha consulta), devido às exigências físicas da sua atividade, como as manobras para levantarem e deitarem doentes acamados. Também os motoristas, seja de que veículo for, são profissionais de risco, devido à posição sentada já mencionada atrás.
Olhando para o fator idade, é inegável que o processo de envelhecimento pode causar desidratação e degeneração discal, tornando os discos mais suscetíveis a lesões. O envelhecimento pode trazer também mudanças na postura e na biomecânica corporal, o que pode colocar mais pressão sobre toda a coluna. Por sua vez, o excesso de peso coloca uma carga adicional sobre a coluna vertebral, especialmente sobre os discos intervertebrais e as articulações facetárias. Essa sobrecarga pode resultar em degeneração mais rápida dos discos e articulações, levando a dor lombar.
É fundamental estar atento a sinais de alerta, conhecidos como “bandeiras vermelhas”, que podem indicar a presença de uma condição subjacente mais grave. Febre, perda de peso inexplicada, fraqueza muscular progressiva e problemas de controle da bexiga e intestino são exemplos de sinais que requerem avaliação médica imediata.
A investigação científica sobre a dor lombar é extensa e abrange uma variedade de aspetos, desde a biomecânica da coluna vertebral até a eficácia de diferentes modalidades de tratamento. Estudos recentes destacam a importância de uma abordagem multidisciplinar na gestão da dor lombar, integrando terapias físicas, psicológicas e farmacológicas. É aqui que entra a osteopatia como uma terapêutica coadjuvante, em conjunto com atividade física, modificação do estilo de vida e, em alguns casos, medicação.
Os osteopatas estão aptos a fazer uma avaliação global, profunda e completa dos fatores que podem estar a contribuir para a dor lombar do paciente e a orientar a pessoa para uma mudança mais positiva desses fatores. No que diz respeito ao tratamento propriamente dito, através de técnicas manuais suaves, nomeadamente técnicas dirigidas aos tecidos moles (músculos, ligamentos, fáscia, tendões), os osteopatas procuram diminuir a tensão muscular em torno da região lombar, procurando favorecer o fluxo sanguíneo ao local e contribuir desse modo para a regeneração ou reparação dos tecidos. Em paralelo são fundamentais técnicas de mobilização articular, nomeadamente na posição de decúbito lateral (pessoa de lado), em que esta normalmente sente-se mais confortável. Quando menciono técnicas de mobilização, refiro-me a todas as técnicas que promovam a flexão/extensão, inclinação e rotação da coluna lombar, sempre na amplitude de conforto do paciente.
As técnicas de tração lombar que foram sempre muito usadas por osteopatas e terapeutas manuais deixaram de estar recomendadas na maioria das guidelines. As mesmas não são conclusivas quanto ao tratamento manipulativo, sugerindo ao profissional uma avaliação individual e rigorosa do caso concreto.
Em todo o caso, a osteopatia oferece uma abordagem holística e individualizada para o tratamento da dor lombar, focando não apenas nos sintomas, mas também nas causas subjacentes da condição. Com suas técnicas manuais suaves, a osteopatia busca corrigir desequilíbrios biomecânicos, restaurar a mobilidade e a função das articulações e promover a cura natural do corpo. Além disso, os osteopatas oferecem educação e aconselhamento aos pacientes, capacitando-os a assumir um papel ativo em seu próprio processo de recuperação e prevenção de recorrências.
Penso que é importante implementar medidas preventivas, como adotar boas práticas de ergonomia no local de trabalho, fazer pausas regulares para descanso e alongamentos, realizar exercícios de fortalecimento dos chamados músculos do core e se quisermos ir mais longe, procurar orientação profissional sobre técnicas para levantamento e transporte de cargas.
Como é fácil perceber, há muitos fatores onde podemos intervir. Não deixe de procurar um osteopata qualificado para o fazer.





